setembro 29, 2009

setembro 17, 2009

Botânica das Lágrimas, de Pedro Foyos

As visitas de estudo ao Jardim Botânico da Sétima Colina duram por hábito duas horas.
Contudo, o passeio evocado neste romance, muito exceceu esse tempo, perturbado que foi pelas mais inesperadas e fantásticas atribulações.

Nota de Imprensa: O tema tão actual do "bullying" e das praxes cruéis é tratado neste livro de forma inédita, através de uma narrativa de ficção; porém todos os episódios estão fundados na realidade.


O jornalista Pedro Foyos, confirmando a mestria com que conquistou o público ao lançar O Criador de Letras, que é já uma referência obrigatória no domínio do romance histórico em Portugal, conduz-nos agora à redescoberta do universo alternativo da infância, à idade da pureza primordial, quando os actos pouco dependem da racionalidade. A par da comicidade inverosímil desses actos, uma verdade trágica: os gangues, as praxes e sobretudo o fenómeno "bullying" (tirania juvenil em ambiente escolar) de que são vítimas em Portugal milhares de jovens, a partir da infância.
Dados divulgados pela UNICEF demonstram que as crianças portuguesas são das que mais sofrem acções de violência física ou psicológica, pertencendo Portugal ao grupo de três países onde mais de 40 por cento dos inquiridos afirmam ter sido vítimas de "bullying".



Um menino-herói procura combater o "bullying" e as praxes cruéis por meio da imaginação e do sonho

O romance Botânica das Lágrimas suscitará redobrado interesse no vasto sector dos educadores, assistentes sociais, professores e pais, na medida em que transmite, página a página, os conflitos emocionais e as dores inconfessadas de uma criança que recorre ao sonho e aos seus heróis de ficção para combater a violência.

É também um livro de descoberta científica, tendo por cenário um Jardim Botânico, cativando a esse nível os leitores para as questões da preservação do Ambiente.
A maioria dos capítulos encadeia-se numa "corrente de Sherezade", cada história contendo nova história. O final quase sempre inacabado, suspenso sob um recorrente e adversativo "mas...", reporta o desfecho para o capítulo seguinte.


Divertida e inusual em literatura é a utilização da técnica do "teaser", intrigando o leitor com anúncios que antecipam tenuemente desenlaces imprevistos cuja revelação será feita páginas adiante, passados minutos, indicados com precisão, pois a "viagem" decorre em tempo real, como um registo fílmico. Tudo se passa num sábado de primavera, entre as 09h15 e as 12h00, com as árvores do Jardim a desempenharem um papel determinante na aventura.

setembro 11, 2009

Jardim de Santos


Comecei a atravessar o Jardim de Santos para ir às matinés do Cinearte ainda Lisboa era a preto e branco. O ardina e o cauteleiro disputavam os clientes entre o jardim e a entrada do cinema, havia ainda o ruído de fundo que o almeida da Câmara fazia a arrastar a vassoura feita com restos de ramagem das árvores.


Hoje, a azáfama é de outra ordem. O Jardim de Santos é utilizado como atalho, que a noite da 24 de Julho já tarda, e como urinol, no regresso. Embora me lembre de o ver em pior estado, continua a merecer cuidados. Mas sobreviverá melhor sem mimos destes, obrigado.